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Manoel Lemos
Por Luiz Carlos Sá-Rocha, artista visual
Tacos, tacos e mais tacos! Meu Deus do céu, quem haveria de guardar tantos tacos.
O artista visual Manoel Lemos não apenas guardou, mas, podemos dizer que como um bom colecionador, colecionou tacos para o seu trabalho. Mas isso diz pouco sobre seu trabalho. Manoel colecionou e coleciona memórias e emoções.
Os tacos trazem, em sua escultura, memórias de uma casa, de momentos de uma vida, de um carinho oculto, de uma passagem. O fato é que o resultado é a emoção! A dúvida e a certeza presas no teto, o improvável e a realidade encadeados em fila desconexa. Objeto de chão os tacos ganham o espaço aéreo e voam. Mas o encantador de tacos é também encantador das cores e das pequenas coisas materiais da memória. Em seus trabalhos de pinturas podemos ver o passado e o futuro e o presente misturados ou delicadamente separados.
Os temas de suas pesquisas também mudam de retirantes a moedas, ingressos e bijuterias, cores vivas e cores extremamente vivas num carrossel de possibilidades abertas galopando a velocidade alta.
Em - “Mandala de uma jornada interior” - sua espiritualidade compete com seus conhecimentos empreendedores, mas o convívio é tranquilo e harmônico. Coisa de encantadores de coisas e pessoas.
Em - “A caixa dos sete portais” - o minúsculo fica grandioso em uma conversa entre o ser pequeno e o potencial dos seres agrupados com encanto. Olha o encantador ai de novo.
Enfim, que os tacos continuem voando no encantado ofício artístico de Manoel Lemos e suas coleções maravilhosas.
Manoel Lemos
Por Éder Rezende, artista têxtil e jornalista
Julho de 2026
Nascido em Araçatuba, hoje morador de São Paulo, o artista Manoel Lemos é o primeiro paulista de uma família mineira de empreendedores. Seu trabalho artístico transita entre o colecionismo, além de uma investigação do reaproveitamento de todos os tipos de objetos.
É administrador por formação pela Universidade Estadual de Londrina, empreendedor, poeta e especialista na criação e design de bijuterias. Esses são alguns dos alicerces que sustentam hoje a sua produção artística. Ele é especialista em garimpar itens do cotidiano, organizar e ressignificar dando novos olhares artísticos.
Uma das suas obras mais antiga é de 2020 intitulada “Ecos do Palco em Papel”. Trata-se de colagem de ingressos de teatros e shows colados em uma base em alvenaria. Cazuza, Elis Regina, Maria Bethânia, Chacrinha, Deborab Colker, Ney Matogrosso, Stantely Kubrick e Chico Buarque são alguns dos nomes das dezenas de ingressos reunidos.
Já a obra “Meu Chão" é uma escultura feita com tacos de peroba rosa. Trata-se de uma das obras mais recentes do artista, que integrou a exposição coletiva “À Beira do Abismo”, na Galeria Tato, em São Paulo, em 2026.
Com tacos retirados da reforma do próprio apartamento, a força do artista surge ao olhar para qualquer tipo de objeto e transformá-lo em algo novo. A escultura, com mais de dois metros de comprimento, nasce do teto e mergulha até o chão, proporcionando movimento, beleza e tridimensionalidade. A obra convida o expectador a mergulhar em toda a história de vida que aqueles tacos de madeira já sustentaram e presenciaram por inúmeras pessoas que pisaram por ali.
“Perceber o paralelo dessa história com a nossa vida foi inevitável, pois as coisas, situações e pessoas que acontecem em nossa existência pessoal também nos marcam, deixam suas histórias gravadas, algumas para sempre, outras o tempo pode e vai conseguir apagar. Mas o mais importante é que ao final sempre estamos mais fortes, imponentes e cheios de vida, assim como o “Meu Chão”, que se ergue e mostra toda a sua força”, diz o artista.
Éder Rezende, artista têxtil e jornalista.
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