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De 20.06 a 25.07 de 2026
Além do Nome, Além da Norma, Além da Forma
Curadoria Paulo du’Sanctus
Obra: Caos Criativo I e II
TEXTO CURATORIAL
A arte sempre foi um território onde aquilo que não encontra lugar nas palavras pode existir. É nesse espaço de liberdade, confronto e
invenção que se insere “Além do Nome, Além da Norma, Além da Forma”, exposição que reúne artistas LGBTQIA+ de diferentes regiões do Brasil.
As obras apresentadas não buscam representar uma identidade única,
tampouco oferecer respostas definitivas. Revelam a complexidade das experiências humanas, atravessadas por desejos, memórias, afetos, conflitos, descobertas e reinvenções. Entre uma variedade de técnicas
e suportes, cada artista compartilha uma narrativa singular, ampliando as possibilidades de olhar para si, para o outro e para o mundo.
A mostra nasce do reconhecimento de que nenhuma existência pode
ser reduzida a categorias fixas, expectativas sociais ou normas impostas. Os trabalhos aqui reunidos evidenciam trajetórias marcadas pela criação, pela resistência, pela vulnerabilidade, pela celebração e pela constante construção de espaços de pertencimento e dignidade.
Ao percorrer a exposição, encontramos obras que abordam a religião como estrutura de controle e aprisionamento, mas também como campo de disputa simbólica. Encontramos corpos contemplados com
admiração e ternura, corpos que desafiam padrões, corpos que
reivindicam o direito de existir em sua plenitude. Há trabalhos que
apresentam as vivências da transexualidade com delicadeza e
profundidade, tocando dimensões íntimas da experiência humana. Há
autorretratos que se revelam sem medo, transformando a exposição da própria imagem em gesto de afirmação e liberdade.
Em outras obras, a sexualidade aparece como força vital e centro da
pesquisa artística, tornando-se instrumento de emancipação diante de
séculos de repressão. Há corações, há pênis, há seios, há menstruação.
Há desejo, há afeto, há dor, há prazer. Há corpo. Há humanidade.
Estas obras convidam o público a perceber a potência das subjetividades. São trabalhos que não pedem apenas para serem
vistos, mas para serem sentidos. Nascem do coração, daquilo que por
muito tempo foi silenciado, escondido ou negado. Nascem do desejo que insiste em existir, da memória que se recusa ao apagamento, do
grito que emerge de dentro e encontra na arte sua forma mais livre de expressão.
Esta exposição é um convite para ultrapassar classificações simplificadoras e aproximar-se da riqueza das experiências humanas.
Em um tempo marcado por disputas em torno dos corpos, dos afetos e
dos modos de existir, a exposição afirma a arte como espaço de
encontro, escuta e reconhecimento.
Porque antes de qualquer nome, antes de qualquer norma, antes de
qualquer forma, existe a vida.
Existem pessoas.
E existem histórias que merecem ser vistas.
Paulo du’Sanctus
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